OADQ PRODUÇÕES

Filme de temática Racial ,Documentários e Filmes Brasileiros , Africanos , Americanos e classicos

FILMES BRASILEIROS

 

Título do Filme

anegacaoposter] A Negação do Brasil
(A Negação do Brasil)
A Negacao do Brasil (2000), Br, Joel Zito Araujo, doc, DvdRi

 

Sinopse

Com base numa análise da telenovela brasileira no período 1963-1997, o autor mostra o papel do negro, é uma viagem na história da novela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Linkando com suas memórias desde a infância no interior de Minas Gerais, aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros. Tudo isso acompanhado com um raro acervo de imagens garimpados nos porões das emissoras. Em alguns debates vemos as posições e experiências de atores negros neste processo.

 

Elenco

João Acaiabe (Narração)
Joel Zito Araújo (Narração)

Depoimentos de:
Ruth de Souza, Léa Garcia, Maria Ceiça, Zezé Mota, Milton Gonçalves, dentre outros.

 

Informações sobre o filme

Gênero: Documentário
Diretor: Joel Zito Araújo
Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2000
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Pt.br
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0298079/

 

Informações sobre o release

Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Vídeo Codec: H.264/MPEG-4 AVC
Vídeo Bitrate: 792 Kbps
Áudio Codec: MPEG-4 AAC
Áudio Bitrate: 64
Resolução: 712 x 480
Formato de Tela: Tela Cheia (4×3)
Frame Rate: 29.970 FPS
Tamanho: 556 Mb
Legendas: Sem Legenda

 

Premiações

– Melhor Documentário e Melhor Pesquisa: É Tudo Verdade / It’s true – 6º Festival Internacional de Documentários – 2001. SP-RJ;

– Troféu “Gilberto Freyre de Cinema” e Troféu de “Melhor Roteiro de Documentário”; 5º Festival de Cinema do Recife – 2001.

 

Curiosidades

Entrevista cedida por Joel Zito Araújo à TV Escola (canal educativo da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação):
http://www.tvebrasil.com.br/salto/entrevis…zito_araujo.htm

Posterior ao Filme, foi lançado Livro homônimo. Noite de lançamento em SP:
http://www.portalafro.com.br/joelvito/joelzito.htm

Resenha do livro por Eliana Monteiro:
http://www.uff.br/mestcii/eliana1.htm

 

Crítica

Acredito que o negro deve sempre estar atento para não desviar-se do problema essencial, econômico e social, não resumir a luta apenas a uma questão racial. Entendo que a construção da cidadania deva propor uma nova sociedade, mais justa, com menos disparates. Algo bem distante dos negros de “shopping center” das Novelas da Globo. Em dado momento do documentário, me decepcionei bastante com a atriz Léa Garcia justificando uma cena da novela Carinhoso (1974); É claro que a cena era mérito da atriz atuante, pelo seu talento nítido na mesma, entretanto, a crítica deveria ser feita ao estereótipo e não justificada.

Mais importante que os agradecimentos, serão as impressões dos que baixarem e assitirem. Não só este, como todos os filmes que eu postar aqui neste Forum. Obrigado.

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Título do Filme

Teodorico, o imperador do sertão
()
Release não informado

Sinopse

Teodorico é um coronel, dono de uma vasta fazenda e de muitas pessoas. Na figura e nas falas do “major” (que dá título ao filme), Coutinho encontra uma maneira de criticar as relações desiguais e de opressão no campo, agravadas pela ditadura militar. Todo o filme é narrado pelo próprio coronel: auto-retrato da elite nordestina.

 

Informações sobre ofilme

Gênero: Documentário
Diretor: Eduardo Coutinho
Duração: 49 minutos
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português

 

Informações sobre o release

Qualidade de Vídeo: VHS Rip
Vídeo Codec: XVID
Vídeo Bitrate: 122 Kbps
Áudio Codec: MPEG Layer-3
Áudio Bitrate: 150 Kbps
Resolução: 384×288
Formato de Tela: Tela Cheia (4×3)
Frame Rate: 29.970 FPS
Tamanho: 349 Mb
Legendas: Sem Legenda

 

Curiosidades

Este filme fez parte do Globo Repórter, época em que a Globo ainda produzia bons documentários.

O áudio do filme não está muito bom. No entanto, é só colocar no volume máximo que dá para assistir sem prejuízo.

A capa do post é um livro que Consuelo Lins, colega de trabalho de Coutinho, escreveu sobre ele. Como o filme, foi para a TV ele não tem capa disponível.

 

Crítica

Primeira obra-prima de Eduardo Coutinho, filme seminal de seu modo de fazer cinema, influenciando para sempre a história do documentário brasileiro.

Teodorico é um coronel, dono de uma vasta fazenda e de muitas pessoas. O olhar de Coutinho sobre aquele homem é o olhar de um documentarista nato descobrindo seus métodos: “Queria fazer um filme sem narração off “, diz Coutinho. E fez.

Influenciado pelas possibilidades do som direto em escapar melhor da malha fina dos censores, Coutinho consegue extrair de um coronel nordestino tudo aquilo que não poderia ser dito por outra voz:

Todo narrado pelo próprio coronel Teodorico Bezerra, o filme é uma espécie de auto retrato da elite nordestina, com seus cacoetes ingênuos de poder e suas manias de grandeza (a cena do desfile da fazenda é antológica!). Coutinho se cala diante daquela realidade e se resume a observar… a ouvir com atenção todos os detalhes daquela figura mítica que se descortina.

Aos poucos, o coronel Teodorico Bezerra conta suas manias, seus jogos de poder, seus modos de controle. Mostra, orgulhoso, as frases pintadas nas paredes de todas as casas de suas terras onde estão escritos seus mandamentos: “Não é permitido beber, não é permitido jogar baralho, não é permitido fingir-se doente para não trabalhar…”

Autoritário, Teodorico mostra com orgulho suas ferramentas de controle econômico e político, disserta sobre a importância do voto de cabresto, revela jogadas políticas para melhorar as condições de suas terras. O filme todo é esse observar cuidadoso de uma figura complexa e apaixonada pelo seu modo de vida, que se abre às perguntas simples de Coutinho e se deixa capturar pela imagem.

Nas poucas entrevistas com trabalhadores rurais, a presença do coronel se faz marcante e Coutinho permite que essa opressão se realize diante da câmera. O coronel pergunta: “Você acha que existe lugar melhor para se viver do que aqui?…”, o empregado responde, “Não, claro que não”.

Essa capacidade de Coutinho em descobrir os traços da realidade na própria maneira com que a pessoa constrói seu imaginário para a câmera é o que faz do filme uma das obras documentais mais importantes do país. Registro histórico e atemporal de um homem ícone, Teodorico é um raro filme de observação do imaginário de poder arcaico dos coronéis nordestinos.

As fotos de viagem pelo mundo, a coleção de fotos de mulheres nuas, a fila de crianças que respondem prontamente que só o que sabem fazer é trabalhar… são fragmentos de uma personalidade que se entrega na própria franqueza orgulhosa:

Em certo momento diz que seus funcionários são como escravos, defende a inferioridade do nordestino em relação aos homens do sul, revela não pagar estudos para as crianças para que elas não “fujam da fazenda para a cidade grande…”

Coutinho já disse certa vez que por vezes se arrepende de tê-lo deixado falar demais…Discordo. É nesse excesso de liberdade narrativa que Teodorico se desvenda para o filme.

O diretor pergunta pouco, é verdade, mas é preciso em suas perguntas: numa das poucas vezes em que ouvimos sua voz, Coutinho vai direto na ferida: “O senhor não se sente muito sozinho?” Silêncio. Coutinho quase põe Teodorico às lágrimas…Mas ele logo se recompõe…e apruma o corpo.

Um genial retrato do imaginário de um homem poderoso do nordeste, colocado de forma crua como nunca antes e nunca depois. Sem o uso de interpretações pré ou pós-filme, Coutinho descobre na voz do outro uma brecha especial na criação de imagens livres.

Um filme único e inaugural, de um dos cinemas mais vigorosos da atual cinematografia brasileira.

Obrigatório.

Felipe Bragança

(in:www.contracampo.com.br/39/teodorico.htm)

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x5nsc5Título do Filme

Jogo de Cena
(Jogo de Cena)
Jogo.de.Cena.DVDRip.XviD-pedr1nho

 

 

Sinopse

Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. O que está em discussão é o caráter da representação. Neste filme, o jogo a ser jogado inclui pelo menos três camadas de representação: primeiro, personagens reais falam de sua própria vida; segundo, estas personagens se tornam modelos a desafiar atrizes; e, por fim, algumas atrizes jogam o jogo de falar de sua vida real.

 

 

Elenco

Marília Pêra
Andréa Beltrão
Fernanda Torres
Aleta Gomes Vieira
Claudiléa Cerqueira de Lemos
Débora Almeida
Gisele Alves Moura
Jeckie Brown
Lana Guelero
Maria de Fátima Barbosa
Marina D’Elia
Mary Sheyla
Sarita Houli Brumer

 

Informações sobre o filme

Gênero: Documentário
Diretor: Eduardo Coutinho
Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento: 2007
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português (Brasil)
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1165293

 

Informações sobre o release

Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Vídeo Codec: XviD
Vídeo Bitrate: 779 kbps Kbps
Áudio Codec: MP3
Áudio Bitrate: 130 Kbps
Resolução: 544 X 304
Formato de Tela: Tela Cheia (4×3)
Frame Rate: 23.976 FPS
Tamanho: 695 Mb
Legendas: No torrent

 

 

Premiações

– Recebeu 4 indicações ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, nas categorias de Melhor Documentário, Melhor Atriz (Andréa Beltrão), Melhor Roteiro Original e Melhor Edição – Documentário.

 

Curiosidades

– É o 10º longa-metragem dirigido por Eduardo Coutinho.

– Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2007.

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bocapr1Título do Filme

Boca de Lixo
(Boca de Lixo)
Release não informado

 

 

Sinopse

O cenário, à primeira vista, pode chocar: um ponto de escoamento de lixo em São Gonçalo, município do Rio de Janeiro. Seringas usadas, comida em estado de decomposição, um estado de miséria absoluta. Pessoas selecionam objetos e comida que possam ser reaproveitados; o que foi rejeitado por uma pessoa serve como fator de sobrevivência para esta. O cenário desalentador não exprime o estado de espírito dos catadores. Há um conjunto de integridade e valores que superam todo aquele estado, e a câmera de Coutinho é a responsável por essa aproximação. Alguns negam que comem coisas do lixo (mesmo que a câmera os desminta), outros afirmam com orgulho; uns estão ali por falta de oportunidade, outros por opção: “(…) é melhor do que ter patrão (…)”. O filme se desvincula da pretensão de registrar um contexto adverso aos padrões de uma sociedade respeitadora dos direitos dos seus cidadãos e arranca dela contradições e ambigüidades, que por sua vez, são capazes de redimensioná-la e reinventá-la.

 

Informações sobre o filme

Gênero: Documentário
Diretor: Eduardo Coutino
Duração: 48 minutos
Ano de Lançamento: 1992
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português – BR

 

Informações sobre o release

Qualidade de Vídeo: VHS Rip
Resolução: 624×464
Formato de Tela: Tela Cheia (4×3)
Tamanho: 184 Mb
Legendas: Sem Legenda

 

Curiosidades

Ilha das Flores e Estamira são duas peças de uma possível trilogia sobre o lixo no cinema brasileiro. A terceira é Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho, agora disponível como bônus do DVD de Peões. É um doc clássico, experiência fundamental para que Coutinho burilasse o seu famoso “método”.

Ele chegou ao lixão de Itaoca (RJ), em 1992, com uma pequena equipe que incluía na câmera o Breno Silveira do futuro Dois Filhos de Francisco. Vinha desprovido de qualquer pesquisa prévia, imbuído apenas da vontade de alcançar a intimidade daquele grupo de excluídos entre excluídos. O primeiro teste – e um dos mais duros da carreira do diretor – foi vencer a resistência de boa parte dos catadores a botar a cara na frente da câmera. Os primeiros dos dez dias de gravação foram gastos numa árdua e gradual conquista de confiança. Logo no início do média-metragem, vemos um bloco de tomadas em que pessoas fogem do campo visual, tapam o rosto ou mandam a câmera desviar-se para outro lado. Demonstram não apenas ter consciência do estigma que as acompanha, mas também que o preconceito grassa entre as suas próprias vítimas.

Os catadores acanham-se com sua condição, muito embora insistam em reafirmar que a atividade que desempenham é um trabalho como outro qualquer. A exemplo das rápidas entrevistas iniciais de Santa Marta: Duas Semanas no Morro, Coutinho trabalha com o horizonte de um mundo de trabalhadores. Ex-domésticas, ex-lavradores e ex-operários estão unificados numa nova profissão. Orgulham-se de não serem nem vagabundos, nem ladrões, o que os faz subir alguns degraus no organograma social. A pessoas envergonhadas da própria imagem o documentarista oferece fotografias impressas em papel, imagens retiradas do próprio vídeo que está sendo feito. Quando uns identificam os outros pelos nomes, é a idéia de comunidade que se faz presente, em toda sua espontaneidade.

As câmeras não se desviam dos aspectos naturalmente sórdidos: a matéria em decomposição, as mãos que chafurdam nos detritos, a proximidade entre homens e urubus, gente que come ali mesmo o que encontra de aproveitável. Na verdade, não encontram grande coisa, pois, como diz alguém a certa altura, o lixo que chega ali já fora “catado” em algum local intermediário. No olhar do Coutinho dessa época, prevalecia a disposição restauradora. Ele não queria mostrar o inferno, mas revelar a humanidade de uma gente vista usualmente como mero emblema social. Acabou encontrando manifestações de alegria relacionadas ao lixo, assim como sinais de solidariedade típicos de aglomerações populares e exemplos de profissionalismo compenetrado. Conversou com famílias relativamente bem

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Garrincha,
Alegria do Povo

 

Sinopse

 

Garrincha, Alegria do Povo é um documentário brasileiro de 1962
sobre o futebolista Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, realizado no
apogeu de sua carreira. Bi-campeão mundial em 1958/1962, consagrado no Botafogo
de Futebol e Regatas, onde eternizou a camisa número 7, o documentário foi
dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, com duração de 58 minutos, e é em preto
e branco. O original deteriorou-se e o filme só foi restaurado em 2006.

 

Elenco

Garrincha

 

 

Informações sobre o filme

 

Gênero: Documentário
Diretor: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade; Luiz Carlos Barreto; Armando
Nogueira; Mário Carneiro; David Neves
Duração: 58 minutos
Ano de Lançamento: 1962
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português / Futebol
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0056010/
Site Oficial: http://www.filmesdoserro.com.br/film_ga.asp

 

 

Informações sobre o release

 

Qualidade de Vídeo: VHS Rip
Vídeo Codec: XviD
Vídeo Bitrate: 1294 Kbps
Áudio Codec: MPEG-1 Audio Layer
Áudio Bitrate: 128
Resolução: 560 x 416
Formato de Tela: Tela Cheia (4×3)
Frame Rate: 29.970 FPS
Tamanho: 599 Mb
Legendas: Sem Legenda

 

Premiações

 

Prêmio Carlos Alberto Chieza
Melhor Filme sobre Esporte do Festival de Cortina d’Ampezzo, Itália, 1964

 

Crítica

 

À sombra das chuteiras imortais

Nelson
Rodrigues

E Otto passou a ser mais título do que funcionário, mais teatro do que
advogado, mais personagem do que autor. Na rua, é interpelado: – “Você
existe mesmo?” Sim, o meu amigo tem passado por equívocos medonhos. É
singular, realmente, que se possa apalpar, farejar e até pedir dinheiro a um
título de peça. Todavia, ninguém é mais teatro, mais verso, mais romance, mais
ópera, mais cancioneiro, do que Garrincha.

Citei vários amigos irreais: – o Cláudio, o Hélio e o Otto. Os três têm, na
vida real, uma inadaptação de peixinhos fora do aquário. Garrincha muito mais.
O Mané já foi samba, já foi marchinha e a qualquer momento vai ser letra de
Vicente Celestino. Como se não bastasse tudo o mais, é agora filme. Sábado
último, fui ver, justamente, o Garrincha, Alegria do Povo.

A exibição estava marcada para oito da noite, em Botafogo. Chego, e
quem vejo eu? O Joaquim Pedro, diretor da fita. É outro que parece mais libreto
de ópera do que pessoa viva. Com o seu ar de romântico inatual, retardatário,
daria, fisicamente, um ótimo tenor da Traviata. Ao lado do Joaquim Pedro,
estava o Luís Carlos Barreto outro responsável pelo filme. Excelente figura, o
Luís Carlos! Tem uma frondosíssima cabeleira de leão de desenho animado. E a
verdade é que os dois fariam o maior sucesso como personagens de Dumas Filho.

Entramos os três e, com pouco mais, começava a projeção. Amigos, eu tenho a
maior desconfiança de qualquer documentário pelo seguinte: – o documentário é o
mais burro dos gêneros. Isso por um lado. Por outro lado, o verdadeiro
documentário é a poesia. Ou o sujeito recria poeticamente as coisas ou naufraga
num pires d’água. Eis o meu medo: que ele nos traísse Garrincha e traísse a
poesia.

Nada disso. A única traída foi mesmo a sociologia. O Joaquim Pedro é sensível
demais, inteligente demais, delirante demais para ser sociólogo. Quer ele
queira, quer não, jamais será um idiota da objetividade. E nos deu um filme
úmido, terno, de uma qualidade poética quase intolerável. Tivesse eu a burrice
lívida do Alex Viany e estaria aqui fazendo comentários de especialista. Mas
Deus me negou a obtusidade do crítico cinematográfico. Tenho que me expandir
como um leigo desautorizadíssimo.

Se me perguntarem o que me impressionou mais na fita, eu diria: – as caras. Com
a meticulosa, obsessiva paciência de um Proust visual, o Joaquim Pedro andou
catando, no Maracanã, as reações fisionômicas da torcida. No ser humano, só a
cara importa e o resto é paisagem. E, na fita, o que vemos é a máscara humana
na sua infinita variedade. Uma coisa vos digo: – não há Nápoles, não há rio, ou
mar, ou Via Láctea, ou aurora, ou poente que seja tão patético como as caras
desdentadas que o Joaquim Pedro descobriu. E lá reencontramos o Garrincha
fidedigno. Eu sempre digo que o Mané é tão da terra como os camaleões, como os
preás. E se fosse possível uma platéia de preás e de camaleões, os bichos
haviam de aplaudir de pé o filme e pedir bis como na ópera.

 

 

 

 

 

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